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Do lar sem afeto ao projeto escolhido na Alemanha
Nuno tem 21 anos e, assim como muitos garotos, cresceu em um lar com pouco, ou quase nenhum, apoio emocional ou direcionamento profissional. Ao procurar terapia, sua primeira frase foi: “Não tenho tempo para pensar em mim mesmo”. Esta é parte de uma história de quem buscou ressignificar feridas emocionais, sem ter ideia do que poderia encontrar pela frente.
Esta é uma história inspirada em relatos reais de atendimento psicanalítico. Todos os nomes, detalhes e situações foram alterados para preservar a privacidade.
Como as feridas emocionais são instaladas
Por muitos anos, carregou o peso da incapacidade, da inferioridade, das críticas sobre sua aparência e das comparações injustas. Sentia-se fraco e impotente todas as vezes que seu pai chegava bêbado em casa.
Uma infância marcada pela presença física disfuncional dos pais. Quanto mais próximos fisicamente, mais distantes emocionalmente permaneciam. Aprendeu a mentir para esconder sua desatenção constante. Era melhor mentir e esconder o enfeite da sala quebrado do que escutar dos pais o quão desastrado era. Seus olhos claros não foram suficientes para garantir que os outros vissem sua beleza. Não importava o quanto tentasse, os colegas de classe sempre preferiam destacar as partes do seu corpo que ele mais detestava.
Ainda pequeno, entendeu que amor e álcool precisavam caminhar juntos para que as declarações fossem feitas. Nunca escutou “filho, eu te amo” do pai quando sóbrio. Ele aprendeu que, para amar, era preciso estar mergulhado no vício. Cresceu com os pais presentes, mas ausentes em sentimentos. Seu refúgio, por anos, foi o colo da avó materna. No meio de tantas pessoas, parecia que somente uma enxergava seu caráter. Não era à toa que cresceu com um profundo sentimento de invisibilidade.
Como passou a ressignificar feridas emocionais
Ele cresceu e, muito confuso, decidiu buscar terapia. Chegou com pensamentos sobrecarregados e misturados. Suas feridas emocionais pareciam sacos de cimento em suas costas. Na primeira sessão, o olhar distante e as olheiras denunciavam uma rotina cansativa e sem muita esperança. Falou muito, usou mais de sessenta minutos e, ainda assim, no final da sessão, não se sentiu aliviado. Na semana seguinte, as mesmas condições, porém sentiu-se mais à vontade e contou mais detalhes. Nas sessões seguintes, começamos a trocar ideias, mas sua voz ainda dominava o tempo disponível. Tentou, diversas vezes, resumir sua vida, mas a profundidade das feridas o fazia mergulhar cada vez mais fundo.
Após várias sessões externalizando todas as suas dores, conseguimos trilhar um caminho de reconhecimento, um caminho para começar a ressignificar suas feridas emocionais.
O passado, que antes era assustador, já não tinha mais a mesma cara de mau, mas ainda incomodava. Perturbava, mas não assustava. Ele aceitou voltar bem lá atrás e entender que muitas dores precisavam ficar na mesma época em que foram instaladas. Entendeu que muitas feridas rasgadas não foram abertas por ele.
Os vícios não eram dele. As dores, ele não buscou tê-las. Os traumas não foram decisão dele carregar. No processo terapêutico, entendeu a importância de falar, separar a dor e ressignificar a história. Ou seja, encarar e ressignficar feridas amocionais.
Quando a ressignificação das feridas emocionais começam a mudar o cenário
Poucos meses depois, alguns aspectos rejeitados já não dominavam parte da sua rotina. Entre eles: inferioridade, incapacidade, baixa autoestima. Os julgamentos já não pesavam sobre seus ombros. A falta de confiança e até a busca pela pornografia, como recompensa rápida, foram dando espaço para a organização da sua vida. Ousadia e coragem passaram a integrar seu quadro de qualidades.
Do menino frágil surgiu um homem carinhoso, bondoso, empático e um ótimo educador. E foi com sua inteligência e esforço que ele começou a sentir o sabor da vitória.
Saiu da posição de “não merecedor” para viver uma viagem inédita à Alemanha, após ter seu projeto científico aprovado e escolhido para ser apresentado internacionalmente.
Da casa simples para a Europa.
Da escuridão do passado para o presente glorioso.
Das feridas emocionais para a vida.
Nuno ainda tem um com caminho pela frente, é jovem e entendeu que seu passado, ainda que não possa excluir de sua vida, é um importante fator para entender o que ele pode alcançar no futuro. Não é somente sobre o passado, mas como o passado influenciou suas quedas até o momento que decidiu ressignificar feridas emocionais.
E você? Ainda carrega feridas que não escolheu ter? Ainda acredita que o peso dos vícios, das críticas e dos abandonos que não começaram em você precisam definir quem você é? A história de Nuno mostra que é possível ressignificar o passado sem negá-lo, separar a dor sem fingir que ela não existiu. Se ele conseguiu sair da invisibilidade para ser visto internacionalmente, talvez você também esteja mais perto da sua virada do que imagina.
A pergunta é: você está disposto a olhar para trás com coragem para seguir em frente com leveza?
A história de Nuno é mais comum do que imaginamos. Muitos e muitos jovens crescem em lares complicados, nos quais os pais acreditam estar entregando seu melhor. Assim, muitos jovens não conseguem enxergar a beleza da vida, em viver dias incríveis. E por falar em dias incríveis, você já percebem que, muitas vezes, achamos a tarde de sábado mais bonita que as tardes dos dias úteis? Por que será que percebemos isso? Te convido para ler o post “Por que a tarde de sábado é mais bonita? Clique aqui para ler – e entender os motivos para desvalorizarmos as “tardes comuns”.
Você pode reescrever sua história.
Se algo neste texto tocou você, talvez seja o momento de parar de apenas ler sobre mudança e começar a vivê-la. A terapia é o espaço onde você pode olhar pra sua história com honestidade, sem julgamento, e começar a escrever novos capítulos.
Atendemos online, de qualquer lugar do Brasil.


