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Quantas mulheres não têm coragem de deixar suas crenças limitantes e feridas emocionais para dizer SIM para a vida?
Pensa no final desse filme que fala bastante sobre crenças limitantes e feridas emocionais herdadas pelos pais e uma forte decisão em ressignificar uma vida.
A mulher, com seus mais de 30 anos, decidiu largar o emprego fixo e morar fora do país em busca de um sonho. Por muitos anos, ela estudou e trabalhou com Direito, pois era o sonho do pai ter uma advogada na família.
Sua mãe, desde quando ela era pequena, repetia: “Filha, não se prenda a homem, não. Olha a minha vida, que porcaria. Você tem que trabalhar pra juntar seu dinheirinho.”
Então, a mulher foi envelhecendo solteira, com medo de relacionamentos e totalmente desanimada com uma carreira que nunca foi escolha dela. Até que um dia, pegou toda a sua grana e partiu pro Canadá pra ver a aurora boreal.
Na última cena do filme, em pé, apreciando o espetáculo das luzes dançantes no céu, um homem se aproxima pra conversar.
De imediato, ela hesita.
Chega a dar meio passo atrás.
Mas, em poucos segundos, os seus pensamentos a levam para o passado, cheio de crenças limitantes que nunca foram dela.
E aí ela decide.
Respira fundo.
E permite a aproximação do belo homem.
Parece um final simples de um filme romântico bobinho, mas quantas mulheres não têm coragem de dizer SIM pra vida?

As crenças limitantes e feridas emocionais que não são suas, mas controlam suas decisões
A mãe dessa mulher não era má.
Provavelmente foi abandonada, traída ou desvalorizada por um homem. E a única forma que encontrou de proteger a filha foi transferir o próprio medo como conselho: “não se prenda a homem.”
O pai não era vilão.
Talvez nunca tenha tido a oportunidade de estudar e projetou na filha o sonho que ele não pôde realizar.
O problema é que os dois, sem perceber, escreveram os capítulos da vida dela antes que ela pudesse segurar a caneta e ela cresceu achando que aquelas crenças eram escolhas. Que o medo de se relacionar era prudência. Que a carreira de Direito era vocação.
Isso é o que chamamos de crenças limitantes.
Elas não nascem com você.
São herdadas, absorvidas, repetidas, até que se tornam tão naturais que você as confunde com a sua própria voz. E quando alguém questiona, você defende aquilo como se fosse seu, mas não é.
Feridas emocionais herdadas: quando a dor do outro vira a sua prisão
Por trás de toda crença limitante, existe uma ferida emocional. A mãe que diz, “não confie em homem”, carrega uma ferida de abandono ou rejeição.
O pai que impõe uma carreira carrega uma ferida de desvalorização ou frustração. E o filho, ou a filha, herda não apenas o conselho, mas a dor que está por trás dele.
A mulher do filme fictício não tinha medo de homens. Ela carregava o medo da mãe. Não era apaixonada por Direito. Ela carregava a frustração do pai. E viveu décadas inteiras acreditando que aquela vida era dela, quando na verdade estava vivendo um roteiro emprestado.
Essas feridas se instalam silenciosamente na infância, quando não temos maturidade pra filtrar o que é proteção e o que é projeção. E vão moldando nossas escolhas, nossos medos, nossos relacionamentos, tudo sem que a gente perceba.

Dependência emocional: quando você precisa do outro pra existir
E aqui mora um dos efeitos mais silenciosos dessas feridas: a dependência emocional. A mulher do filme não dependia de ninguém financeiramente. Tinha carreira, estabilidade, independência, mas emocionalmente, estava presa à aprovação do pai, ao medo da mãe, à necessidade de corresponder ao que esperavam dela.
Dependência emocional não é só aquela pessoa que não consegue sair de um relacionamento tóxico. É também a pessoa que não consegue entrar num relacionamento saudável. É quem vive pedindo validação. É quem não consegue tomar uma decisão sem consultar cinco pessoas. É quem abandona os próprios sonhos pra não decepcionar alguém.
É viver em função do roteiro dos outros, mesmo quando você tem a caneta na mão.
O momento em que ela decide
O que acontece na última cena do filme fictício é pequeno, mas imenso. Ela hesita, dá meio passo atrás, o padrão inteiro está ali, pronto pra se repetir, mas algo muda.
Ela reconhece que aquele medo não é dela.
Ela pensa.
Respira fundo.
E permite a proximidade do belo homem.
Não é sobre o homem que se aproximou. É sobre ela ter dado permissão a si mesma pra viver algo que sempre lhe foi negado, não pelos outros, mas pelas crenças que ela herdou deles.
E essa é a pergunta que fica: quantas vezes você deu meio passo atrás na sua vida?
Quantas vezes o medo que te travou nem era seu?
Você tem a caneta.
O próximo capítulo ainda está em branco.
Muitas pessoas carregam a dificuldade em não saber o que escrever numa folha em branco, pois sentem o vazio da sua história. Leia o artigo “O que escrever numa folha em branco?” – Clique aqui.
A pergunta é: você vai escrever ou vai continuar repetindo o roteiro de outra pessoa?
Pensa nisso.
Você pode reescrever sua história.
Se algo neste texto tocou você, talvez seja o momento de parar de apenas ler sobre mudança e começar a vivê-la. A terapia é o espaço onde você pode olhar pra sua história com honestidade, sem julgamento, e começar a escrever novos capítulos.
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