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O que escrever numa folha em branco?
Esse é o sentimento do começo da mudança: o vazio. É o sentimento de quem quer começar uma nova vida.
Na infância, captamos gestos, maneira de falar, andar, dirigir e até pensamentos e atitudes dos nossos pais. Então, transformamos as reticências da nossa vida em repetição de padrões. Não repetimos 100%, mas o suficiente para deixarmos de ser quem somos e nos tornarmos uma extensão deles.
Nos assustamos quando descobrimos que repetimos, muitas vezes sem saber, tudo aquilo que nos assustou, incomodou ou nos feriu.
E quando percebemos ou entendemos que precisamos resgatar quem realmente somos e caminhamos através do processo, em um dado momento travamos. Choramos. Oramos. Questionamos.
O que está acontecendo comigo?
A resposta pode parecer simples, mas nem tanto: você está diante de uma folha em branco.
Quem nunca travou diante da decisão de começar uma nova vida?
Quem nunca travou os pensamentos quando recebeu uma folha em branco da professora para escrever uma simples redação com o tema “O meu fim de semana”? Você sabe exatamente o que fez no fim de semana passado, mas não consegue começar a escrever pelo fato de não saber por onde começar. A orientação “comece pelo início” parece relaxar os pensamentos e te levar ao primeiro acontecimento da primeira hora do sábado. Porém, sua mente questiona: “Será que isso importa?“
Será que é válido escrever, no papel em branco, que no sábado você acordou e ficou ainda deitado por quase vinte minutos rolando o feed do Instagram, perdendo seu tempo com vídeos inúteis?
O que é possível fazer em vinte minutos?
Passar um café?
Orar?
Brincar com os cachorros?
Conversar com as pessoas da casa?
Ler um devocional?
Ler três páginas de um livro?
Regar as plantas?
Entendemos que, quando não sabemos como começar a escrever sobre nosso fim de semana, pode ser pelo fato de termos permitido que a nossa vida não seja interessante o suficiente para ser contada.
O que realmente podemos contar sobre nós quando não sabemos quem somos?
Esse, talvez, seja um dos grandes paradoxos da vida: eu sou o que sou, mas não sei quem eu sou.
Uma coisa posso afirmar: você é filho(a) de Deus.
Agora, o que você faz com essa posição é uma decisão sua.
Da mesma forma, você decide se mantém os padrões ou se cria seu novo caminho.
A folha em branco pode assustar no início, mas quando você pega o gosto pela sua nova história, uma caneta será insuficiente para escrever tantas coisas incríveis e maravilhosas.
Qual é a sua história? O que você pode escrever em uma folha em branco?
Qual parte da sua história você gosta de contar?
Qual parte da sua história você nunca contou?
Em qual parte da sua história existem vitórias?
Quantas derrotas, na sua história, você escondeu por vergonha?
E se a sua vida for tudo aquilo que você decidiu esconder?
Afinal, o que você viveu até hoje?
Se você tivesse que escrever na folha em branco tudo o que escondeu, ou deixou de viver, ou foi obrigado a se calar, quantas páginas você escreveria? Quanta dor você colocaria no papel? Quantas linhas seriam necessárias para escrever sobre seus traumas e feridas? Quanto tempo você precisaria dedicar para ir tão fundo na sua memória e trazer à tona tudo aquilo que te impediu de virar a página?
Mas você tem a chance de escrever, nesta mesma folha em branco, uma nova história. O quanto você quer se dedicar a isso?
Muitas pessoas acreditam que coragem é um conjunto de atitudes absurdas que, no fim das contas, as fazem desistir de investir, achando que será necessário gastar muita energia ou enfrentar todas as pessoas. Coragem para mudar de vida não tem a ver com os filmes de ação, nos quais o mocinho desbrava pelas ruas sombrias, sozinho, com apenas uma arma, contra toda uma facção criminosa. Isso é ficção.
A coragem, na vida real, começa com uma simples e forte decisão: sim, eu quero melhorar.
Vai gastar energia?
Sim, vai.
O seu cérebro vai entender que tal mudança será necessário investir energia, mas com o tempo ele entenderá que não será um gasto, mas sim um investimento, um prazer.
Vai precisar enfrentar todas as pessoas?
Não, mas será necessário confrontar você mesmo.
E o que eu ganho com isso?
Vida.
Não a vida que herdei, mas a vida que escolhi escrever.
Não a história dos meus pais, mas a minha própria.
E essa, vale cada linha em branco preenchida com coragem.
Você pode reescrever sua história.
Se algo neste texto tocou você, talvez seja o momento de parar de apenas ler sobre mudança e começar a vivê-la. A terapia é o espaço onde você pode olhar pra sua história com honestidade, sem julgamento, e começar a escrever novos capítulos.
Atendemos online, de qualquer lugar do Brasil.


