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O que Peaky Blinders ensina sobre repetição de padrão e feridas emocionais
Saiu o filme que fecha a série Peaky Blinders. O nome do filme é “O Homem Imortal” e fala muito sobre repetição de padrão e feridas emocionais, principalmente o abandono e a rejeição. Se você assistiu esperando apenas tiroteio e explosão, talvez tenha perdido o que realmente aconteceu ali.
Tommy Shelby, o protagonista da série. O homem que, por muitos e muitos capítulos, construiu um império com imposição de poder, controle e medo. E, no final, colheu o quê? Uma mansão enorme, vazia e fria. E um filho repetindo os mesmos padrões que destruíram o pai.
Duke, o filho de Tommy, literalmente jogado na lama, disse a frase: “Sim, eu pequei, porque pecar é tudo que sei. Porque o pecado é tudo que me deixou. Ouviu isso, pai? O maldito pecado é tudo que me deixou.” Pesado isso, não é?
Essa frase não é só um diálogo de ficção. É o retrato de algo que acontece em milhares de famílias reais, todos os dias. Filhos carregando dores que não escolheram. Repetindo histórias que não escreveram.

O que é a repetição de padrão?
É como se o seu inconsciente seguisse um GPS viciado: ele sempre te leva pelo mesmo caminho esburacado porque é a única rota que ele conhece e considera “segura”. Você repete situações ruins, nos relacionamentos, no trabalho e nas escolhas, na tentativa de finalmente aprender a consertar um problema do passado que ainda não foi resolvido.
É o Duke, na prática. E para confirmar isso, na mesma cena na lama, ele diz: “me ofereceram um trabalho. Algo tão grande que nem você teve a chance.” Ou seja, querendo ou não, ele está repetindo os padrões do pai. Buscando o mesmo poder, pelo mesmo caminho, com as mesmas consequências.
Existirão argumentos de que, no filme, a família Shelby carrega uma linhagem cigana e existem feitiços sobre as gerações. Mas o verdadeiro feitiço é a repetição mesmo. Não precisa de maldição sobrenatural. A dor não elaborada já faz esse trabalho sozinha, ela se transmite de geração em geração, silenciosa e eficiente.
A repetição de padrão e as feridas emocionais
Tommy, tão focado em sua ambição de controle e poder, não enxergou seu filho. Duke, sem opção, só enxergou o abandono e a rejeição. Cresceu com essas, e muitas outras, feridas emocionais.
Para superar o abandono, continuou com a gangue do pai, mesmo nome, porém mais violenta. Para tentar superar a rejeição, buscou controlar toda a cidade com suas ações irresponsáveis. De fato, era temido, mas não foi respeitado como seu pai. São tantos conflitos na mente deste homem que prejudicam sua própria vida e o seu próprio povo.
Foi o caminho que ele decidiu seguir.
Ou melhor, foi o único caminho que ele conseguiu enxergar. Porque quando repetimos o padrão, o caminho é de via única na mesma direção da dor do pai. Ou da mãe. Ou de quem esteve, ou não esteve, ali quando mais precisávamos.
E é exatamente isso que torna a repetição tão perigosa: ela se disfarça de escolha. Você acha que está decidindo, mas na verdade está obedecendo a um roteiro que foi escrito antes de você nascer.

E dizem que feridas emocionais e repetição de padrão é coisa de gente fraca
Não é coisa de gente fraca.
É coisa da mente.
Tommy Shelby não era fraco. Era um dos homens mais temidos da Inglaterra. E ainda assim, foi destruído por dentro pelas mesmas feridas que tentou ignorar a vida inteira.
Duke não era fraco. Era corajoso, determinado, ousado, mas repetia o ciclo porque ninguém o ajudou a enxergar que existia outro caminho.
A força, muitas vezes, está justamente em parar e olhar pra trás. Em reconhecer que algo dói. Em dizer: isso não é meu, mas eu carreguei a vida inteira.
No filme, Tommy entende isso.
E volta.
Não pra ser o chefe de novo, mas pra tentar resgatar o filho do mesmo caminho que o destruiu. E diz uma frase que resume tudo: “algo de bom tem que sair de mim.”
E a sua história?
Você não precisa ser um Shelby pra estar repetindo padrões.
Talvez o seu jeito de se relacionar, de reagir à frustração, de sabotar o que está dando certo, de não se sentir merecedor, talvez nada disso seja realmente seu. Talvez seja herança.
A boa notícia é que padrões podem ser interrompidos
A dor pode ser ressignificada.
E a sua história pode ser reescrita. Não o que já passou, porque isso não muda, mas o próximo capítulo ainda está em branco.
A pergunta é: você vai continuar repetindo ou vai ter coragem de escrever algo novo?
Pensa nisso.
Você pode reescrever sua história.
Se algo neste texto tocou você, talvez seja o momento de parar de apenas ler sobre mudança e começar a vivê-la. A terapia é o espaço onde você pode olhar pra sua história com honestidade, sem julgamento, e começar a escrever novos capítulos.
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