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Quais feridas emocionais você esconde com a história que você conta sobre a sua vida?
Pensa na narrativa da sua vida. Qual versão da sua história você apresenta para as pessoas? Aquela que você escolheu contar? Ou aquela que você aprendeu a esconder? Você conta sobre suas feridas emocionais e crenças herdadas ou conta o superficial para que as pessoas não vejam suas dores?
A mulher que diz ser intensa no relacionamento?
Ou a mulher totalmente dependente emocional do parceiro?
O homem simples e humilde?
Ou o homem que não se sente merecedor das conquistas por ter vivido tantos julgamentos e comparações?
A pessoa que dá conta de tudo sozinha?
Ou a pessoa que cresceu escutando gritos mandando engolir o choro?
A versão que você apresenta nem sempre é a verdadeira história.
É a versão editada.
Polida.
Segura.
Talvez, coerente.
A versão que você montou pra sobreviver emocionalmente num mundo que nunca te perguntou como você realmente estava.
A narrativa mal contada: quando você edita a própria vida e esconde suas feridas emocionais
Todo mundo edita a própria história.
Isso é natural.
O problema é quando a edição se torna tão forte que você mesmo passa a acreditar nela. Quando a mulher que diz “eu sou intensa” já não consegue enxergar que aquilo é dependência emocional. Quando o homem que se apresenta como “humilde” não percebe que está se diminuindo porque alguém, lá atrás, o ensinou que ele não merecia crescer.
A narrativa mal contada é aquela onde você é o personagem principal, mas o roteiro foi escrito por outra pessoa. Pelos seus pais, pela sua infância, pelas crenças que absorveu antes de ter capacidade de questionar qualquer coisa.
E o mais perigoso: quanto mais você repete essa versão editada, mais distante fica da sua história real. Até que um dia, alguém te pergunta “quem é você?” e a resposta que sai é a versão ensaiada, não a verdadeira.

As feridas emocionais por trás da narrativa
Por trás de toda narrativa mal contada, existe uma ferida emocional que não foi cuidada.
A mulher que se diz intensa carrega, muitas vezes, uma ferida de abandono. Ela aprendeu que se não se agarrar com tudo ao outro, vai ser deixada porque alguém, em algum momento, a deixou. A intensidade é a forma que ela encontrou de disfarçar o medo.
O homem que se apresenta como simples e humilde pode estar carregando uma ferida de rejeição ou humilhação. Ouviu tantas vezes que não era suficiente, que era inferior, que não merecia e transformou isso numa identidade: “eu sou humilde”, mas humildade verdadeira é diferente de se sentir pequeno.
A pessoa que dá conta de tudo sozinha, muitas vezes, carrega uma ferida de injustiça. Cresceu num ambiente onde pedir ajuda era sinal de fraqueza. Onde o choro era proibido. E então construiu uma armadura: “eu me viro”, mas por dentro, está exausta e sozinha.
Nenhuma dessas pessoas escolheu essas feridas.
Elas foram herdadas.
Absorvidas.
E com o tempo, viraram narrativa, uma história que parece ser sobre força, mas na verdade é sobre sobrevivência.
A narrativa mal vivida: quando a dor vira roteiro
Existe uma diferença entre uma narrativa mal contada e uma narrativa mal vivida. A mal contada é a versão que você apresenta para outros. A mal vivida é quando você passa a tomar decisões reais baseadas nessa versão falsa.
A mulher que acredita ser intensa aceita relacionamentos tóxicos achando que aquilo é amor. O homem que se sente indigno recusa oportunidades achando que não é pra ele. A pessoa que não pede ajuda entra em colapso achando que é culpa dela.
Quando a narrativa editada se torna o GPS da sua vida, você não está mais vivendo a sua história. Está sobrevivendo à história de outra pessoa, daquela criança que precisou criar uma versão segura de si mesma pra suportar a realidade.

Ressignificar: reescrever sem apagar
Ressignificar a sua história não é fingir que o passado não existiu. Não é apagar as feridas. É olhar pra elas com honestidade e dizer: isso aconteceu comigo, mas não precisa me definir.
É a mulher entendendo que a intensidade dela é medo de abandono e que ela pode amar sem se perder. É o homem reconhecendo que a humildade dele é ferida de rejeição e que ele pode crescer sem culpa. É a pessoa que dá conta de tudo entendendo que pedir ajuda não é fraqueza é coragem.
Ressignificar é tirar a caneta da mão de quem escreveu seu roteiro e começar a escrever os seus próprios capítulos. Não a versão editada. A versão real.
Fica a pergunta: qual é a sua verdadeira história?
Pensa nisso.
Você pode reescrever sua história.
Se algo neste texto tocou você, talvez seja o momento de parar de apenas ler sobre mudança e começar a vivê-la. A terapia é o espaço onde você pode olhar pra sua história com honestidade, sem julgamento, e começar a escrever novos capítulos.
Atendemos online, de qualquer lugar do Brasil.


