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Dia com sol e céu azul é mais bonito, mas não minimiza a importância da chuva
Capitólio, fim de tarde, céu azul celeste com algumas nuvens. Do alto de uma montanha é possível ter uma vista panorâmica da cidade e ver a intensidade de cada tom de verde. As belezas artificiais em meio as belezas naturais. Quando o sol bate, surgem as sombras e é com essas sombras que vemos as belezas das coisas.
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O dia com sol forte é o tipo de dia que fotografamos, que nos faz sorrir sem motivo aparente, que parece carregar uma promessa de leveza. Preferimos o sol à chuva, o calor ao frio, a claridade à escuridão. É da nossa natureza buscar a luz, mas se pararmos para observar com honestidade, perceberemos que a chuva não é menos importante. Ela apenas exerce seu papel de forma diferente, muitas vezes silenciosa, às vezes até violenta, mas sempre necessária.
O mesmo acontece com a vida interior de cada pessoa. Todos nós temos nossos dias de sol: momentos em que nos sentimos plenos, confiantes, em paz, seguimos adiante com o peito aberto, sem medo. São os aspectos de nós mesmos que gostamos de mostrar ao mundo, as versões editadas que compartilhamos, as qualidades que cultivamos e celebramos. Porém, carregamos também nossa chuva interna, aquilo que Carl Jung chamou de sombra, o conjunto de características, impulsos, medos e desejos que preferimos não reconhecer, que escondemos até de nós mesmos.
A sombra não é necessariamente má.
Ela é simplesmente aquilo que rejeitamos, que consideramos incompatível com a imagem que queremos manter. Pode ser a raiva que não nos permitimos sentir, a inveja que fingimos não ter, o egoísmo que negamos, mas também a criatividade que reprimimos por medo de julgamento ou a vulnerabilidade que escondemos para parecer fortes. Jung percebeu que quanto mais tentamos viver apenas no sol, ignorando nossa chuva interna, mais desequilibrados nos tornamos.
A pessoa que parece sempre alegre pode estar sufocando uma tristeza profunda.
Aquele que se orgulha de sua racionalidade pode ter medo de seus próprios sentimentos.
Quem se apresenta como eternamente gentil pode guardar uma agressividade não integrada.
E não há problema algum em preferir o sol, é natural e até saudável buscar o que nos faz bem. O problema surge quando negamos completamente a chuva, quando fingimos que ela não existe ou que não tem função.
A chuva tem função.
Ela irriga, limpa, renova. Sem ela, a terra seca, as plantas morrem, os rios desaparecem. Da mesma forma, negar nossa sombra não a faz desaparecer, apenas a empurra para um lugar onde ela age sem nosso controle ou consciência. Ela vaza em comentários ácidos que não entendemos de onde vieram, em padrões destrutivos que repetimos sem saber por quê, em projeções onde vemos nos outros exatamente aquilo que não queremos ver em nós mesmos.
Integrar a sombra não significa se tornar uma pessoa sombria ou mergulhar em negatividade. Significa reconhecer, com coragem, que somos complexos, contraditórios, imperfeitos.
Significa olhar para nossa chuva interna com a mesma honestidade com que apreciamos nosso sol. É permitir que a raiva seja sentida sem que ela nos defina, que a tristeza seja vivida sem que precisemos performar alegria, que os aspectos menos nobres de nossa humanidade tenham espaço para existir sem nos dominar.
Uma pessoa que integra sua sombra não é menos radiante, pelo contrário, sua luz se torna mais autêntica porque não precisa esconder nada. Ela pode desfrutar plenamente seus dias de sol porque reconhece e respeita seus dias de chuva. Ela entende que ambos fazem parte do mesmo ciclo, da mesma natureza.
O céu azul é lindo, sim, mas a tempestade também tem sua beleza selvagem, e a garoa tem sua melancolia necessária.
Da mesma forma, nossos melhores dias não são menos valiosos por carregarmos também nossas sombras, na verdade, são mais genuínas justamente porque aceitamos nossa totalidade.
Somos sol e chuva, luz e sombra, e está tudo bem. É assim que a vida floresce: na interação complexa entre todos os nossos climas internos.
Em dias de sol e céu azul celeste, queremos navegar pelas águas de Capitólio e ver a beleza rochosa de seus cânions misturados aos tons de verde da vegetação. Em dias de chuva, com céu em escalas de cinza, colocamos casacos e queremos tomar uma deliciosa xícara de café sentado ao lado da janela para contemplar a beleza da queda das gostas com o calmante som da sua força contra a superfície.
E, em ambos os dias, estaremos bem.
Você pode reescrever sua história.
Se algo neste texto tocou você, talvez seja o momento de parar de apenas ler sobre mudança e começar a vivê-la. A terapia é o espaço onde você pode olhar pra sua história com honestidade, sem julgamento, e começar a escrever novos capítulos.
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