Quando você acha que vai, a sua mente bloqueia o seu acesso

Quando você acha que vai, a sua mente bloqueia o seu acesso

Você já passou por isso?

Acordou determinado, cheio de energia, com aquela certeza inabalável de que hoje seria diferente.

“Hoje vai! Hoje farei acontecer. Hoje é o dia”.

Estava decidido em mandar aquela mensagem importante, fazer a ligação que estava adiando, começar ou finalizar o projeto, tomar a decisão. O gás estava lá, real, pulsando. Como um motor de um carro potente ligado esperando o pé fundo no acelerador. E então, do nada, algo travou, o motor potente desligou. A coragem evaporou. A clareza virou névoa. E você ficou paralisado, se perguntando o que diabos aconteceu.

Você queria muito e eu sei disso.

Não foi preguiça, não foi falta de vontade. Foi algo mais profundo, mais sorrateiro, porém não tão desconhecido. Algo dentro de você simplesmente disse “não” quando você estava dizendo “sim”. E o pior: você nem entende direito o motivo.

Jung percebeu que nossa mente consciente, aquela parte que planeja, decide e quer agir, é apenas uma pequena ilha em um oceano imenso chamado inconsciente. E nesse oceano habitam coisas que preferimos não ver: medos antigos, crenças que nem sabemos que carregamos, experiências que deixaram marcas invisíveis. Quando você está convicto de que vai fazer algo, mas algo te trava, geralmente não é o “você consciente” que está bloqueando. É o “você profundo” tentando te proteger de algo.

Pode ser que você esteja indo em direção a algo que, lá no fundo, sua mente associa com perigo. Não um perigo real, óbvio, mas um perigo emocional (e isso aqui é forte demais).

Talvez você tenha sido rejeitado no passado quando se expôs demais, e agora sua psique tenta te poupar dessa dor novamente. Talvez você carregue a crença inconsciente de que não merece o sucesso que está buscando, porque em algum momento alguém ou alguma situação plantou essa semente em você. Ou talvez você tenha medo do que virá depois da conquista, das responsabilidades, das mudanças, de se tornar alguém diferente de quem você sempre foi.

O bloqueio mental não é seu inimigo, por mais que pareça. Ele é, na verdade, um sinal. Um aviso de que há algo não resolvido pedindo atenção. Sua mente está tentando manter você seguro, mesmo que a forma como ela faça isso seja te sabotar.

É como se houvesse uma parte sua que prefere a dor conhecida do que arriscar uma dor desconhecida, mesmo que do outro lado possa estar exatamente o que você busca.

Muitas vezes, o que trava você não é a falta de capacidade ou preparo. É o medo de descobrir quem você será quando conquistar aquilo. É o medo de decepcionar a si mesmo ou aos outros. É o medo de perder a identidade de “aquele que ainda vai conseguir” e assumir a identidade de “aquele que conseguiu”, porque essa última vem com expectativas que assustam. É mais confortável ficar no limbo do potencial do que enfrentar a realidade da realização.

Reconhecer isso já é um passo imenso. Porque quando você entende que o bloqueio vem de um lugar de proteção distorcida, você pode começar a dialogar com essa parte de si mesmo.

Pode perguntar:
“Do que você está tentando me proteger?
O que você acha que vai acontecer se eu seguir em frente?”

E às vezes, só de fazer essas perguntas com honestidade, algo se move dentro de você.
Não se trata de forçar a barra, de empurrar com violência contra a resistência. Trata-se de olhar para ela com curiosidade e compaixão. De entender que você não é apenas aquela pessoa cheia de gás que quer conquistar o mundo, você também é aquela parte assustada que aprendeu a se proteger trancando portas. E ambas precisam ser ouvidas.

A fé pode ser uma aliança poderosa nesse processo. Confiar que Deus não te deu sonhos para te ver fracassar, mas para te ver crescer no caminho até eles, pode trazer alívio. Às vezes, o bloqueio existe para que você aprenda algo essencial antes de seguir, sobre você mesmo, sobre sua força, sobre sua necessidade de cura.

Então, se hoje você se viu travado novamente quando pensou que finalmente ia, respire. Não se culpe. Pergunte-se o que essa trava está tentando te dizer. E lembre-se: o caminho até onde você quer chegar não é apenas sobre fazer acontecer. É também sobre se tornar alguém capaz de sustentar o que vier. E às vezes, para isso, precisamos primeiro cuidar das partes de nós que ainda estão com medo.

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Você pode reescrever sua história.

Se algo neste texto tocou você, talvez seja o momento de parar de apenas ler sobre mudança e começar a vivê-la. A terapia é o espaço onde você pode olhar pra sua história com honestidade, sem julgamento, e começar a escrever novos capítulos.

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