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Quando não puder controlar o que acontece, controle você
A vida vai te colocar em situações onde você não tem controle nenhum.
O chefe vai tomar decisões ruins.
As pessoas vão te decepcionar.
Os planos vão desmoronar.
A economia vai oscilar.
Relacionamentos vão terminar.
Doenças vão aparecer.
E você pode gritar, se desesperar, tentar forçar as circunstâncias a se curvarem à sua vontade, mas isso só vai te deixar exausto e frustrado.
A verdade inconveniente é esta: você controla muito menos do que gostaria, mas há uma coisa que está sempre sob seu domínio: como você responde ao que acontece.
Jung observou que somos, em grande parte, governados por forças internas que nem percebemos. Reagimos automaticamente porque fomos programados pela nossa história, pelos nossos traumas, pelas nossas inseguranças.
Alguém te critica e você explode, não porque escolheu explodir, mas porque algo dentro de você foi acionado.
Uma situação foge do controle e você entra em pânico, não porque decidiu entrar em pânico, mas porque sua mente aprendeu que perder controle é perigoso.
Controlar você não significa sufocar o que sente. Significa se tornar consciente do que está acontecendo dentro de você para não ser arrastado por reações automáticas. É a diferença entre sentir raiva e ser consumido por ela. Entre reconhecer o medo e deixar que ele te paralise. Entre notar a ansiedade e transformá-la em ação produtiva ou simplesmente observá-la até que passe.
Quando você não pode mudar a situação, pode mudar sua relação com ela.
Pode escolher onde colocar seu foco. Pode decidir o que vai alimentar: o ressentimento ou a aceitação, a vitimização ou a responsabilidade, a ruminação ou o movimento. Isso não é pensamento positivo ingênuo, é exercício de poder real sobre a única coisa que você verdadeiramente governa: sua mente.
A maioria das pessoas vive no piloto automático. Deixa que padrões inconscientes ditem suas reações, seus humores, suas escolhas. Sentem-se impotentes porque estão sempre tentando controlar o externo, que é instável e imprevisível por natureza. Porém, quando você vira o foco para dentro, percebe que tem mais autonomia do que imaginava.
Você pode treinar sua mente para não entrar em colapso quando as coisas saem do roteiro. Pode aprender a não personalizar tudo o que acontece. Pode desenvolver a capacidade de sentir sem ser dominado pelo que sente. Pode parar de reagir como se cada obstáculo fosse uma ameaça à sua existência e começar a responder com clareza, mesmo sob pressão.
Isso exige prática.
Exige que você se observe, que perceba seus gatilhos, que identifique os padrões que te sabotam. Exige que você assuma responsabilidade não pelo que acontece com você, mas pelo que você faz com o que acontece. E isso é difícil, porque é mais fácil culpar as circunstâncias, as pessoas, a sorte.
Culpar é abrir mão do seu poder.
Quando você coloca a responsabilidade fora, está dizendo: “Sou refém do mundo externo”. Quando você assume o controle interno, está dizendo: “Não importa o caos lá fora, aqui dentro eu decido”.
Tem dias em que tudo vai dar errado.
Você vai ser testado.
Suas estratégias vão falhar.
As pessoas vão te frustrar.
E nesses momentos, a única pergunta que importa é: como você vai lidar com isso? Vai entrar em desespero, revolta, negação? Ou vai respirar, reconhecer a realidade, sentir o que precisa sentir e, então, escolher sua próxima ação com consciência?
Controlar você não é se tornar uma pessoa fria ou robotizada. É se tornar alguém que não é sacudido por qualquer vento. É construir estabilidade interna em um mundo instável.
Você não vai conseguir sempre. Vai ter recaídas, vai reagir mal, vai perder a paciência, mas cada vez que você pausa, respira e escolhe como quer responder em vez de apenas reagir, você está exercendo o único controle que realmente importa. E com o tempo, isso muda tudo.
Você pode reescrever sua história.
Se algo neste texto tocou você, talvez seja o momento de parar de apenas ler sobre mudança e começar a vivê-la. A terapia é o espaço onde você pode olhar pra sua história com honestidade, sem julgamento, e começar a escrever novos capítulos.
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